Não se alarme mas estamos sendo bombardeados com antimatéria

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Não se alarme mas estamos sendo bombardeados com antimatéria

Postado Por  em 20 11 2017 em AstronomiaEnergiaFísica. Créditos reservados: MEIO BIT

Antimatéria é a fonte de energia mais poderosa do Universo, ao menos até descobrirmos se existe mesmo Energia de Ponto Zero. A bomba de Hiroshima detonou com 13 quilotons de energia, equivalente a 13 mil toneladas de TNT. Seu núcleo tinha 64 kg de urânio, dos quais menos de 1 kg fizeram parte da reação de fissão.

Desse 1 kg, somente 0,089% foram convertidos em energia. Já uma bomba de antimatéria converte 100% da matéria em energia. O que significa que uma porção de antimatéria com 1 g de massa, o equivalente a uma dessas pedrinhas de bicarbonato aqui…

…explodiria com potência de 43 quilotons. E para isso basta que ela entre em contato com 1 g de matéria comum.

Deduzida por Paul Dirac em 1928, a antimatéria era uma pedra no sapato da Física, resolvia algumas equações mas parecia um artifício matemático, um tipo de matéria onde as partículas teriam suas características invertidas. O elétron por exemplo teria uma versão com carga positiva, e se aniquilariam ao se encontrar.

Richard Feynman chegou a sugerir que o pósitron era um elétron andando para trás no tempo.

Em 1929 o pósitron foi encontrado via experimentações, e logo surgiram outras antipartículas, antimatéria deixou de ser ficção e se tornou algo corriqueiro. Somos bombardeados por antimatéria do espaço, e partículas radioativas emitem antimatéria aqui na Terra. Você mesmo, neste exato momento está emitindo uma média de 180 pósitrons por hora, que colidem com elétrons no seu corpo e se aniquilam. Se prestar atenção dá pra sentir a coceirinha.

Ser corriqueira não torna a antimatéria menos misteriosa. Pra começar, nós nem deveríamos estar aqui. Segundo a maioria dos modelos do Big Bang, matéria e antimatéria teriam sido criadas na mesma proporção e se aniquilado imediatamente. Como há um razoável conjunto de evidências apontando para a confirmação da hipótese de que o Universo existe, isso provavelmente não aconteceu.

PODE ser que esse desequilíbrio seja um fenômeno local, ou que galáxias distantes sejam feitas de antimatéria: é impossível identificar pois fótons são a própria antipartícula.

Fora isso temos fontes de antimatéria normais, como pulsares, supernovas e o próprio Sol, e para estudar essas fontes em 2006 foi lançado o satélite PAMELA (Payload for Antimatter Matter Exploration and Light-nuclei Astrophysics), uma colaboração entre Rússia, Itália, Alemanha e Suécia.

PAMELA funcionou muito bem, bem demais até. Detectou pósitrons de alta energia em uma escala muito acima da esperada. Os números foram tão fora do normal que uma pesquisa de 17 meses foi feita no México, no High-Altitude Water Cherenkov Gamma-Ray Observatory, esse negócio aqui:

Se te parece um monte de caixas d’água no alto de uma montanha, você está absolutamente certo. Dentro de cada uma há detectores para identificar Radiação de Cherenkov, uma emissão de luz causadas por partículas que ultrapassam a velocidade da luz… — CALMA EU EXPLICO: a velocidade da luz em um meio que não seja vácuo. Do mesmo jeito que na fibra óptica a Luz não se move a 300.000 km/s, na água também não, os fótons são absorvidos e reemitidos, então só atingem velocidade máxima entre os átomos.

O HAWC investigou vários pulsares, e detectou feixes de pósitrons, mas eles não explicavam a média geral, várias vezes acima do que o extra que os pulsares estavam gerando.

Na falta de hipótese melhor, estão falando de pósitrons gerados por decaimento de Matéria Escura, algo que ninguém sabe o que é, ou mesmo se existe.

Qual a explicação? Ninguém sabe. Nossos modelos científicos são apenas modelos, simplificações, e quando surge algo novo, o modelo é aprimorado. Foi assim quando a Gravitação de Newton não conseguiu explicar a órbita de Mercúrio, e Einstein apareceu para salvar o dia.

No final, vale a máxima de JBS Haldane:

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