A história da inovação no setor financeiro brasileiro guarda episódios em que uma solução prática, nascida no dia a dia operacional de uma agência, acabou transformando processos em todo o país. É o caso da iniciativa criada por Petrúcio Prado em 1992, enquanto atuava no Banco Bandeirantes em João Pessoa. O método idealizado por ele revolucionou o processamento de cheques e carnês de pagamento, estabelecendo um padrão pioneiro de eficiência que posteriormente influenciou procedimentos no comércio e no varejo em todo o Brasil.
Para além de uma única conquista, essa história traz a assinatura de um profissional com uma rica trajetória de quase três décadas no setor financeiro nacional. Com passagens de destaque por grandes instituições como Banco Bandeirantes, Banorte, Banco Noroeste, Banco Real e ABN AMRO Bank, a carreira de Petrúcio Prado reflete também as intensas transformações e migrações do sistema bancário brasileiro ao longo das últimas décadas.

Trajetória Curricular e as Migrações no Sistema Bancário
A carreira de Petrúcio Prado abrange um período de grandes mudanças estruturais no mercado financeiro nacional, caracterizado por incorporações, aquisições e transições tecnológicas. Sua vivência prática em diferentes instituições consolidou uma expertise completa que envolveu tesouraria, contabilidade, gestão de caixas, controle de retaguarda, análise de crédito e procuração jurídica.

Ao longo de quase 30 anos, sua atuação percorreu importantes marcos do sistema bancário:
- Banco Bandeirantes (1986 – 1995): Onde construiu uma sólida ascensão profissional, passando de Escriturário A a Procurador (1987), Procurador-Chefe (1992), Coordenador Administrativo N3 (1992), Gerente de Agência N1 em Campina Grande (1993) e Gerente de Retaguarda N1 (1995);
- Banorte e Banco Noroeste: Atuação em fases marcantes do sistema financeiro regional e nacional, vivenciando o ritmo das grandes operações de compensação e atendimento;
- Banco Real e ABN AMRO Bank: Acompanhamento direto das transições globais e processos de migração institucional que redefiniram o ecossistema bancário brasileiro na transição para o novo milênio.
Essa bagagem multifacetada em diferentes culturas organizacionais permitiu desenvolver uma visão crítica apurada sobre fluxos de trabalho e eficiência operacional.

1. O Objetivo Institucional do Concurso de Boas Ideias
O Concurso de Boas Ideias do Banco Bandeirantes foi instituído pela alta direção com um objetivo bem definido: estimular a criatividade dos funcionários de toda a rede nacional para solucionar gargalos operacionais, reduzir custos com suprimentos e aumentar a agilidade no atendimento bancário.
Regulamentado pela Circular Interna nº 37/85 de 19 de novembro de 1985, o concurso funcionava como uma ponte direta entre os profissionais que vivenciavam o dia a dia das agências e a comissão julgadora na matriz, em São Paulo, permitindo que ideias nascidas no interior fossem padronizadas para todo o país.
2. A Boa Ideia nº 612: Autenticação Sequencial e Economia de Insumos
Na época, antes do avanço da computação bancária e do Pix, a rotina de fechamento de caixa era um desafio diário. Com até posições de caixa operando em horários de pico, acumulavam-se montanhas de cheques e comprovantes). O envio à compensação exigia a emissão de sucessivas papeletas individuais, gerando um desperdício imenso de papel e demandando horas de conferência no final do expediente.
Foi observando esse processo na retaguarda que Petrúcio Prado idealizou a sugestão nº 612. A proposta consistia em reformular a diagramação e o layout das papeletas de tesouraria, permitindo a realização de autenticações sequenciais chanceladas em ambos os lados do documento (frente e verso). O novo formato multiplicava a capacidade de registros por folha, reduzindo drasticamente o consumo de formulários e acelerando o fechamento do lote de compensação.

3. A Propriedade Intelectual da Ideia e o Registro Histórico
A preservação dos documentos da época assegura o direito à autoria e à propriedade histórica da inovação. Apesar de o projeto ter sofrido resistência inicial e quase ter sido engavetado por um gestor local, o autor garantiu o envio do envelope via malote corporativo no dia 20 de julho de 1992.

O reconhecimento formal da matriz veio em etapas registradas em correspondências oficiais:
- Protocolo de Registro: A confirmação emitida pela comissão julgadora em São Paulo registrou oficialmente a proposta sob o número 612;
- Homologação e Premiação: Em 29 de dezembro de 1992, o projeto foi classificado na categoria de Interesse e Aproveitamento Geral. O autor recebeu uma premiação em dinheiro no valor de 100 mil cruzeiros e o importante registro de “ponto positivo” em sua ficha funcional.
“Comunicamos-lhe que solicitamos pagar a quantia de 100 mil cruzeiros, correspondente à premiação do Concurso Boas Ideias de sua sugestão nº 612… com a certeza de que novas ideias surgirão para melhorar sempre o nível de atendimento no sistema financeiro Bandeirantes.”
— Comissão Julgadora e Departamento de Administração de Pessoal (DAPS), São Paulo, 1992.
Do Banco para o Varejo: O Legado Prático Adotado até Hoje
O impacto da criação de Petrúcio Prado ultrapassou os muros das agências do Banco Bandeirantes. Nos anos seguintes, a lógica de aproveitamento do verso e de chancelas sequenciais organizadas passou a ser adotada por grandes redes de lojas, crediários e estabelecimentos comerciais de todo o Brasil para a quitação de carnês e notas promissórias.

Essa sistemática de autenticação, que permanece viva na memória operacional do comércio físico brasileiro, demonstra o valor da iniciativa de um profissional que, embora pernambucano de nascimento, construiu toda a sua vida e trajetória na Paraíba — terra pela qual nutre um amor tão profundo que é como se nela tivesse nascido e nela corresse o seu próprio sangue.
Para conferir mais reportagens sobre a memória, a história e as personalidades da Paraíba, acompanhe as atualizações do portal TV Jampa. Informações institucionais e históricas sobre o estado também podem ser consultadas no site oficial do Governo do Estado da Paraíba.
Petrúcio Prado – TV JAMPA – Jornal Jampa Notícias
TV Jampa / Editoria de História e Memória Regional









